Já fazem quase 9 meses.
O tempo passa rápido demais quando não se espera nada do dia seguinte.
Teimo em vir aqui despejar sentimentos inacabados, frases soltas de um contexto paralelo.
Sei que é irracional sentir saudades de você.
Passou tempo demais pra que hoje você continuasse sendo a mesma pessoa de quase 9 meses atrás.
Não sinto falta do atual você.
Sinto falta da pessoa que você era quando estava comigo.
Talvez eu ouse dizer que sinto falta do você que ajudei a construir.
Nostalgia embalada à vácuo. Assim não se perde o sabor, o aroma e nem a consistência.
Parece que quanto mais irracional o sentimento, mais racional ele se torna.
Quanto mais eu tento fugir do seu olhar, mais eu me procuro dentro dele.
Não me vejo lá dentro. Vejo apenas seus lindos olhos cor-de-café, não sei se fugindo do meu olhar ou tentando se encontrar em um outro olhar qualquer.
Não importa. Não são desses olhos que eu sinto falta.
Sinto dos olhos que perderam o sabor, o aroma e a consistência.
Aqueles que eu ajudei a construir.
9 meses é o tempo de uma gestação.
O tempo entre a fecundação e a formação completa do feto.
O tempo máximo para que seja cortado o cordão umbilical para que o bebê possa enfim respirar e se alimentar por conta própria.
Insisto em continuar ligado ao meu cordão umbilical.
Me suprindo de todos os nutrientes que sua falta tem me tirado, pouco a pouco, muito a muito.
O tempo passa rápido demais quando não se espera nada do dia seguinte.
Nostalgia embalada à vácuo.

Ainda.

Publicado: 19/05/2012 em Meus pensamentos, meus textos.

Ainda sinto a sua falta.
Sua ausência ainda é o sentimento que me afaga os cabelos na hora de dormir.
Não importa o que eu faça, pra quem eu me entregue, com quem eu faça sexo…
Sua mão ainda continua sendo a única que eu gostaria de segurar no fim do dia,
quando as coisas não saíram como planejado.
Ou simplesmente quando tudo aconteceu da forma que deveria, mas seu olhar de cansaço após um longo dia de trabalho, me tranquilizava a ponto de querer dormir também, junto a ti.
Já faz tempo. Mais tempo do que deveria.
Sinto como se eu já tivesse passado mais tempo sentindo sua falta do que o tempo que passei acariciando sua nunca ou admirando seu olhar.
Seu olhar que por tantas vezes foi minha única segurança.
Minha válvula de escape para os dias traiçoeiros.
Tantas vezes não foram suficientes para que hoje, ao acordar, eu me surpreendesse com seus braços apertando minha barriga, com aquele calor protetor, certas vezes incômodo, que me fazia querer me mexer para sentir o ar fresco percorrer minha pele. Mas sempre me neguei mexer-me e incomodar o seu sono.
Ainda hoje te mandei uma mensagem.
Disse que ainda sentia sua falta.
Não é mentira.
Porém não é correto.
Mentir sempre me foi um sentimento repudiado.
Até que mentir se tornou minha única alternativa.
Mentir pra mim mesmo. Para os outros. Para você.
Mentir que tudo está bem. Que a vida seguiu seu rumo.
Que ontem se foi. Que o amanhã já não importa.
O amanhã sempre importa. Pelo menos pra mim.
O amanhã de ontem é hoje. O hoje de amanhã é a saudade.
Ainda procuro você em cada canto da minha sala.
Quatro paredes podem possuir mais cantos do que a física ou a engenharia podem colocar num papel.
Dois corpos não ocupam um mesmo espaço, mas sua ausência, sozinha, consegue ocupar cada espaço que um dia reservei pra mim mesmo. Para o ontem que se foi. Para o amanhã que ainda importa pra mim.
Já faz tempo. Mais tempo do que deveria.
Julguem-me. Acusem-me.
Mas ainda hoje te mandei uma mensagem.
Disse que sentia sua falta.
E mandei. E sinto.
Um dia essa falta vai embora.
Sem se despedir, vai seguir seu rumo.
Hoje, ela afaga meus cabelos.
Boa noite, você.
Não importa quanto tempo faz, não importa se faz mais tempo do que deveria.
Ainda.
Ainda.

Publicado: 24/04/2012 em Meus pensamentos, meus textos.

A verdade dói e me tratam como se ela não estivesse impregnada em mim.
Mas a verdade não é para ser escarrada na cara dos outros.
Ela apenas tem que ficar clara; isso não quer dizer que precisa doer tanto.
Sem gritos. Sem procurar culpados. Sem cinismo. Sem dedos apontados.
Eu conheço minhas verdades, aliás, eu sou o único obrigado a lidar com elas.
É complicado também ter que se obrigar a aceitar mudanças.
As coisas vão mudar, e isso independe da sua vontade.
Mas tem coisas que são tão nossas que podem permanecer exatamente como são.
Como o amor. A gente pode amar para sempre…
Quando a gente ama, o amor é único. Não se mede. Não se torna maior. Amor é amor.
O que aumenta é a necessidade, o vício, a dependência, a saudade, a falta, a dor de não tê-lo.
Cabelos mudam. Rostos mudam. Gostos mudam. Cenários mudam. Mas o que eu sinto…
O que eu sinto continua forte. Continua inalterável.
Vivi muita coisa. Pode parecer insignificante para qualquer um na condição de espectador, mas para mim significou tudo. Significa, ainda.
Porque, mesmo que a gente deseje muito, reze, espere e implore para o tempo, as coisas não terminam quando acabam.
E o que eu sinto? O que eu sinto continua forte. Continua inalterável.

via Inside Joke

Não quero que as coisas permaneçam como estão.
Não quero continuar me afastando das pessoas e de mim mesmo cada dia mais.
Ao mesmo tempo, não quero continuar perto das mesmas pessoas e muito menos de mim mesmo.
Olá Senhor Inconstante, seja bem-vindo de volta.
Essa terrível sensação de que as semanas têm durado infinitamente mais do que deveriam e de que os momentos que deveriam ser eternizados como únicos se tornaram banais e repetitivos.
Sinto falta de um propósito. De planos. De anseios.
Lembro quando eu era mais novo, deitado na minha cama madrugadas inteiras, ouvindo minhas músicas e sonhando com objetivos e designando a mim mesmo tarefas que fariam eu me aproximar de quem eu queria e deveria ser.
Acredito que quem sou hoje não é o resultado que eu tanto esperei alcançar.
Me sinto correndo numa esteira de academia, quando na verdade meu sonho inicial era correr à beira-mar.
Me pergunto em que momento cheguei até aqui. Tão incerto quanto saber até quando esse momento vai durar.
Não quero fazer deste um texto de lamentações.
Só precisei escrever pra quem sabe, de algum forma, entender o que estou sentindo.
Organizar meus pensamentos até criarem forma e me dizerem onde preciso chegar.
Talvez teria sido mais fácil olhar meu horóscopo e saber qual a cor da roupa que eu deveria usar hoje.
Incertezas por incertezas é mais fácil seguir uma receita do que me arriscar e falhar por conta própria.
Tão mais fácil culpar terceiros inocentes a primários verdadeiramente envolvidos.
De uma forma ou de outra sou sempre primário, sou sempre terceiros.
Um espectador assistindo a um filme do qual fez figuração.
Queria viver de amor, cigarro, música e poesia.
O amor acaba, o cigarro apaga, a música termina e a poesia se vende.
Na verdade, acredito que esses quatro elementos são ramos diferentes da mesma árvore.
Dessa árvore eu sou a raiz. Aquela que cava em direção às águas até chegar ao ponto mais profundo, estável, porém intocável e invisível.
Ou eu me mostro e mato a árvore ou permaneço onde estou até que a árvore seja arrancada pela mesma mão que a cultivou.
Prefiro manter a árvore viva, e que meus frutos (o amor, o cigarro, a música e a poesia) possam ser extraídos um a um, de acordo com a estação do ano a que pertencem.
Uma vez por ano me encontro no outono, onde não tenho muitos frutos para serem extraídos, e talvez hoje seja meu outono.
Só me resta cavar rumo às águas.
O mais profundo que eu puder.
Dessa vez não há terceiros ou primários.
Sou eu por mim mesmo.
Me pergunto em que momento cheguei até aqui. Tão incerto quanto saber até quando esse momento vai durar.
Ainda dá tempo de consultar meu horóscopo?

Acho que a sensação mais estranha que eu já senti não foi amar, sofrer ou superar.
Talvez a sensação mais estranha que eu já senti seja exatamente a que se encontra nos espaços entre esses três momentos.
Quando simplesmente me conformei que as coisas precisavam mudar e que precisavam seguir seu rumo, ainda que sem uma direção pré-definida. Simplesmente seguir em frente.
O rumo natural das coisas é sempre percorrer o seu caminho, independente de qual ele seja.
Seja um rio seguindo seu fluxo, sejam as raízes de uma árvore rumo ao solo, sejam as folhas das árvores se rendendo ao poder da gravidade no outono, sejam os lamentos de um coração abandonado que precisa de alguma forma se expôr; apenas se expôr.
É confuso sentir a dor emocional se tornando algo físico.
É confuso demais poder ver a dor emocional no olhar do outro, rasgando suas entranhas da forma mais devastadora que câncer algum seria capaz de fazer em momentos tão rápidos, específicos e oportunos e simplesmente não poder fazer nada, não poder lhe indicar uma aspirina ou uma injeção que vai lhe adormecer os músculos e o fazer dormir por algumas horas.
É a maneira que os sentimentos têm de se manifestar, mostrando pra nós que eles são tão reais quanto o cheiro de terra molhada anunciando a chuva, antes mesmo de ela chegar, naqueles dias quentes.
E você se sujeita a essa dor até o dia em que você percebe que ela é só mais uma válvula de escape.
Ela se torna apenas uma forma de você se apegar ao seu passado e sentí-lo da forma mais intensa que você puder.
É difícil se desapegar, mas com certeza é muito mais difícil manter-se preso a isso.
Essa é a sensação mais difícil pela qual já passei.
A transição entre o a dor da perda e a necessidade de sará-la.
Sou bom com palavras, não com sentimentos.
Enquanto meus sentimentos estiverem presos no passado e eu desejando que eles estejam focados no futuro, eles jamais estarão no lugar certo, que é o presente.
Me pergunto se estou pronto para seguir em frente. Não sei responder.
Uma parte me diz que já passou da hora de abrir as janelas e deixar o ar circular e carregar com ele toda poeira que não me é mais útil.
Outra parte de mim me diz que eu jamais vou conseguir amar outra pessoa como amei você, me entregar totalmente como me entreguei pra você, sentir-me tão conectado quanto me conectei a você, desejar tanto outro alguém como te desejei, querer ter outro alguém como eu te quis, sorrir para qualquer outro como eu sorri ao seu lado, fazer planos como juntos fizemos, sentir outro me tocando sem pensar no seu toque…
É difícil se desapegar, mas com certeza é muito mais difícil manter-se preso a isso.
Acredito que o meu tempo chegou.
Chegou o tempo de passar pela sensação mais difícil pela qual já passei.
Quero me permitir. Preciso disso.
Sei que esperei tempo demais pra que as coisas se ajeitassem sozinhas e não estou disposto a vê-las me negando auxílio continuamente.
Tenho medo de não ter alguém pra amar, ainda que em secreto.
Não ter pra quem olhar e por alguns momentos ver diante de mim todo o significado de eu estar ali.
Medo de não ter por quem chorar, ou de quem rir simplesmente porque aquela pessoa significa pra mim mais do que qualquer outra coisa possa significar.
Mas chegou a hora de acreditar naquilo que for mais palpável. No que me trouxer segurança.
Chegou a hora de dizer adeus ao nós e finalmente me permitir ser eu, apenas eu, pelo tempo que for necessário.
Estarei aberto, dessa vez não mais para você, caso queira voltar.
Estarei aberto para os sentimentos que ainda não chegaram, mas sei que um dia chegarão.
Eles sempre chegam. O rumo natural das coisas é sempre percorrer o seu caminho, independente de qual ele seja.
Sou bom com palavras, não com sentimentos.
Espero que os sentimentos que estão por vir sejam para mim melhores do que foram estas palavras.
Acredito que o meu tempo chegou. É hora de seguir em frente.

E depois de uma noite gloriosa com cerveja, diversão e amigos, estou aqui.
5:42 da manhã. Um sábado em casa. Um coração que está bem longe dessas quatro paredes.
É estranha a forma como meus sentimentos se manifestam.
Eles chegam de mansinho.
Sorrateiramente tocam a campainha e sem nem sequer me esperar abrir a porta, invadem minha paz.
De certa forma, são velhos conhecidos, já têm sua liberdade.
A solidão é a mais desinibida dos sentimentos.
Entra, vai na geladeira, pega água, senta, acende seu cigarro e me olha de soslaio.
Tenho um certo medo desse sorriso dela, malicioso, se insinuando pra mim.
Acredito que dormirá aqui essa noite.
Minha cama de solteiro, que outrora abrigou dois corações apaixonados, hoje ficará grande demais até mesmo pra mim e pra solidão.
Está calor, estou inquieto, bêbado, sem sono, porém cansado demais mentalmente para ficar acordado.
A solidão se levantou e está ao meu lado, baforejando com seu hálito de cigarro barato, lendo o que escrevo com um olhar crítico, porém, de aprovação.
Talvez ela escreveria diferente. Talvez seria mais dramática.
Quem sabe diria o que eu realmente estou sentindo sem rodeios, sem figuras de linguagem…
Talvez diria que eu sinto a falta de me sentir completo de novo.
Diria que por melhor que eu fique nos fins de semana, a semana é muito maior, portanto, tenho muito mais dias pra ficar mal, chorar toda essa saudade acumulada e escrever mais meia dúzia de textos que expõem tanto o meu secreto que, quando termino e leio, parece saber mais de mim do que eu mesmo sei.
Quem sabe ela escreveria pra vocês que eu morro de medo de que as coisas não se ajeitem e que eu não faço ideia de como ajudar as coisas a se ajeitarem.
Ela me acariciou com suas mãos pesadas, que condenam, e pareceu ter sugado de mim muito mais do que eu jamais quis entregar pra qualquer um.
Suas roupas cheiram a passado.
Seus pés que pisam firme, me mostram que ela sabe exatamente o que está fazendo, pra onde tem que ir e o que precisa fazer pra conseguir isso, enquanto meus singelos passos, um a um, mostram tamanha insegurança e indecisão que por si só me deprimem.
Li recentemente em um livro que preciso “aprender a lidar com a solidão, pois isso é estar presente na condição humana”.
Sei lidar melhor com a solidão do que com todos os meus outros sentimentos, na verdade.
Temos uma relação parasita-hospedeiro quase sexual.
Consigo ler seus gestos tal qual ela sabe ler os meus (ela faz isso com um pouco mais de maestria, confesso).
Ela se retirou de frente ao computador. Foi ajeitar a cama pra que possamos dormir.
Acho que ela mesma já percebeu que está na hora de terminar esse texto.
Não vou insistir.
6:06 da manhã. Um sábado em casa. Um coração que está bem longe dessas quatro paredes.
Pelo menos não dormirei sozinho. Por pior que pareça, sei que poderei segurar a única mão que me foi estendida nessa noite enquanto pego no sono.

2011 já está lá no quarto arrumando as malas, juntando suas coisinhas e me disse que vai embora. Ele me disse também que dessa vez não vai voltar.
Términos são tão dolorosos sempre, mas dessa vez eu tenho a maior certeza do mundo de que fiz a coisa certa.
Por mais que nós tenhamos tido ótimos momentos juntos, percebi que alguns dos nossos sentimentos e vontades entravam em conflito sempre! Choques de ideias, de ideais…
Vai ser melhor assim.
Eu poderia dizer o maior clichê do mundo, que o problema não é você, sou eu, mas não vou ser hipócrita. Não dessa vez.
Todos os que se relacionaram com você dividem a mesma opinião, então acho que você tem que se conformar a parar pra pensar sobre como você vai seguir daqui pra frente, organizando suas prioridades e a sua forma meio torta de ver as coisas.
Mas vamos em frente. Vida que segue.
Talvez eu sinta sua falta, talvez não.
Talvez eu sinta falta das vezes em que juntos bebemos, rimos, choramos, compartilhamos, transamos, conversamos, dançamos…
Talvez eu queria mesmo é um novo relacionamento logo, porque aliás, tem um cara novo, chamado 2012, que me mandou um sms ontem, pedindo pra me encontrar à meia-noite.
Quem sabe surja um novo amor.
Boa sorte pra mim e pra você.
Foi bom enquanto durou.
Agora preciso seguir em frente. Eu mesmo, por mim mesmo.
Obrigado por tudo, você me ensinou muita coisa.
Cresci muito com você.
Que venha um novo amor, talvez uma nova decepção, mas com certeza um novo momento.
Não sei bem o que esperar. Na verdade, prefiro nem esperar muita coisa.
Melhor assim.
Vai ser melhor assim.
Bata a porta quando sair.